Acordar

Voltei.

Hoje lembrei que um dia fiz um blog.

Eu diria que a ausência, de dois anos, nada mais foi do que o cumprimento do destino. Blogs são criaturas destinadas ao abandono por parte do criador. É um momento particular que, quando passa, deixa órfãos em coma.

Hoje este acordou. Não é um gigante, mas está por aí.

Pretendo voltar mais vezes. Talvez com um pouco de opinião e assuntos do cotidiano, mudando um pouco o passado literário deste blog. Embora livre, este blog teve o passado mais pautado em literatura poética.

Aliás, falando de passado, é legal reler coisas que você escreveu tempos atrás e no viés presente ficar satisfeito, sentir o mesmo gosto bom de café.

Até mais.

isso e aquilo;

Era isso mesmo:
Luzes, beijos, e… perfumes.
Os olhos tremiam, cegos,
A boca, seca, pedia mais,
As mãos queriam agarrar e chorar,
– Finalmente, eu te encontrei!
O corpo gritava, silensiosamente.

E era aquilo mesmo,
as fotos, a música, e a energia.
– Mais!
Enquanto a chuva chovia
Eu não mais me pertencia.
Cai insconciente, e morri,
Louco no chão.

Anuário

Janeiro Passado

Havia começado
Esqueceu-se
Do vento no litoral
Fotos nao foram reveladas
Fatos não foram esquecidos
No início do mundo
Era fim de Janeiro Passado

Feveireiro Fadigante

As trombetas
Aquelas do fim dos tempos
Anunciaram, desta vez, o início
Do carnaval
Choveu
Não importou
A mulata sambou
O gringo sambou
Com os dedos
Gentis
Alegria, alegria
Foi-se Feveireiro fadigante

Março Úmido

Na terceira página
Que voltei pra casa
Embriagado
Depois de dormir duas semanas
A paz de ser útil para o mundo
As costas suaram
Molharam o ar
Verão/Outono
Em Março Úmido

Abril Semana

Passo a passo
Passam os dias
Acordo depois de dormir
Durmo logo depois de perguntar
Que horas são?
04:04
O tempo corre lento
Pelo quarto [di]minuto
Ainda é Abril semana

Maio Mais

Diante de coisas intrigantes
Não enxerga-se após
Em frente
Notícias recém repetidas
Nos ouvidos
Leva logo além
Duma poça d’água suja
Nariz
Nada Maio mais

Junho Fantasia

Um sonho desperta
Sentimentos, pensamentos,
Idéias que podem aparecer
Representações cinzentas
Dos céus borrados de
Algodão-doce
Que comprei na volta
De Junho fantasia

Julho Mãos

Fabricando idéias
No ócio
Sorrisos
Contados nos dedos
De uma das mãos
Acabaram-se os dedos
Cinco dedos vão-se rapidamente
Por cima de outros cinco
Trançando Julho mãos

Agosto (Falso) Cinza

Do branco ao preto
Em escala de cinza
Eram as cores
Frias
Exteriormente dominantes
Mas do lado inverso
Vivas, fortes, quentes
Por favor, um café
Pra comemorar
O falso Agosto cinza

Setembro Ondas

Clássicas brancas
Pés esbeltos
Correm da areia
Como máquinas, repetem
O eterno balanço
Quadris
Escoando aos sete mares
Depois de quebrar
[Sete]mbro ondas

Outubro Floral

Flores
Sobreviventes ao inverno
Doces, belas, delicadas
Venenosas
Como serpentes
Mais luz, muito mais luz
Fiz fotossíntese à noite
Iluminado pela Lua
De Outubro Floral

Novembro Vocálico

No breu, histórias
Promessa de calor, ou chuva
Vozes
Vistas de um ângulo, ou dois
Somem na garganta seca
Em brasa
Em melodiosa queda, o Sol
20 anos depois de 46 anos
Recordo-me de Novembro Vocálico

Dezembro Final

Neste pensei, pensei
Cheguei ao nada
Matéria Imaterial
Pessoa maior
Pensa que é fácil dizer?
Adeus
Antes do fim real
Plante, escreva, gere
Ou esquecerei
Logo depois
De Dezembro juízo final

Janeiro Jovem

Veio um novo ano
Não, uma nova época
Acima de tudo
Novo
Não mudou completamente
Os modos das criaturas,
Mas penso que a existência,
Limpa, pura, renovou-se
Na primeira santa chuva
De janeiro jovem

Ok!

Ok!
Eu entendo a fraqueza.

O cérebro paraliza
Esquece a sua nobre posição
A respiração escoa
Vaga, vil, verdadeiramente vã

O coração socorre
O sangue corre
O corpo corresponde e muda,
Bravo, branco, brutalmente de cor

Clama a morte só,
Sono, sem som, sombra branca
O transe dos fracos.

Ok!
Eu entendo a brancura.

nanobrancura

branco…
suave, limpo, glorioso.

justamente o que seria luz,
traz às trevas.
justamente o que seria calma,
traz à guerra
justamente tudo que seria trevas,
é agora branco.

simplesmente branco.
tudo sem cor.

e justamente o que seria falta de cor,
é o que falta à humanidade.

Devaneios de Verão

seria o tempo
que, de vez, está louco,
ou seriam os ventiladores
que, modernos, ventilam pouco?

não sei!

o que sei,
é que cabeça, tronco e membros
suam descontrolados!

numa dessas
ainda compro uma bolha
e instalo ‘ar’
pra sair por aí rolando,
ao menos até à praia.

Pesadelo

Um certo dia acordei assustado de um sonho.
No sonho eu me via morrer num tiroteio no Rio de Janeiro do início do século 21.
Com o susto, estava engasgado com meu coração quase sendo posto para fora pela boca.
Olhei em volta, eu continuava no meu quarto. Eu ainda estava no ano 2209.