Pesadelo
Um certo dia acordei assustado de um sonho.
No sonho eu me via morrer num tiroteio no Rio de Janeiro do início do século 21.
Com o susto, estava esgasgado com meu coração quase sendo posto para fora pela boca.
Olhei em volta, eu continuava no meu quarto. Eu ainda estava no ano 2209.
Contra-cena
Andei até o fim, saí de cena, as luzes se fecharam. Fechei os olhos, respirei fundo e voltei ao palco para a última cena.
Olhei para horizonte de cabeças, mas apenas vi olhos, brilhantes como lanternas, apontados diretamente para mim. Abriram-se as luzes.
Andei. Andei até o centro. Cuspi o texto em semimproviso, como toda noite, mantida a essência e emoção da cena.
Neste momento, entrou o interlocutor fazendo a pergunta que toda a plateia, sem ousar inspirar uma molécula de oxigênio, desejava fazer naquele instante.
E eu, olhando para a parede invisível que me separava da sufocada plateia luminosa, respondi. Iniciou-se a discussão.
Ataquei, Ataquei, ataquei. A melhor defesa é o ataque. Ousei, e sem perceber, me traí. Contra-ataque.
E então, numa máxima que certamente deixou muitos daqueles ouvindo em eco dias e dias, saiu o interlocutor.
Caí em choro teatral, dei-lhes o descfecho. Fecharam-se as luzes. Aplausos.
Exercício
FILIPE
FI – Φ – letra grega (linguagem)
L – éle (ele – pronome)
IP – identidade de computador
E – adição
FILIPE = A linguagem o identifica mais.
Lá Ia
ousadia, ousadia…
sempre que dormia
sonhava com o dia,
nascendo com maestria.
ia, ia…
e indo dormia.
sonhava em poesia,
em sonetos se via.
beberia, comeria,
comemoraria…
alegria, alegria…
e indo sorria,
ia encontrar o dia
nascendo com maestria.
Tempo Regresso
antes do livro, a idéia
antes da idéia, o sonho
antes do sonho, o sono
antes do sono, a tv
antes da tv, o rádio
antes do rádio, a fala
antes da fala, o toque
antes do toque, o olhar
antes do olhar, a curiosidade
antes da curiosidade, o desconhecido
antes do deconhecido, o tudo
antes do tudo, o bang
antes do bang, o nada
[o]
oasis, oblíquo, oceano, odiar, oeste, ofegante, ogiva, oh, oitenta, oj[...], ok, oleoso, ômega, onisciência, o, oposição, oq[...], oral, osso, ótimo, outrora, ovelhas, ow[...], oxigênio, ozônio
[e]
ea[...], eba, eca, editado, e, eficiente, ego, eh, eixo, ejetar, ek[...], elevador, eme, entidade, eólico, epílogo, equador, ereto, espichado, etinia, euforia, evasivo, ew[...], excesso, eyes, ez[...]
[a]
A, abraço, acácias, admitir, aéreo, afago, agressão, ah, ainda, ajuda, ak[...], alguém, amor, antepassado, ao, apocalipse, aquoso, ar, astúcia, atenciosamente, áureo, avenida, away, axioma, ay[...], azar.
Sinuosidade
Ela era magra, bem magra,
Alta, morena clara,
Orelhas pequenas
E levemente curvadas para fora,
Olhos grandes, puxados,
Claros, craríssimos!
Pele fina, macia,
Sem pêlos.
Corpo esbelto, sinuoso,
um que de “tô nem ai”.
Nuances de si mesma.
Do alto de seus saltos,
Andava graciosa,
Com os lábio, finos,
Vermelhos de baton.
Usava um pequeno agasalho,
Contra o noturno frio.
Atenta ao movimento dos carros,
Numa esquina suja,
De um bairro esquecido,
Ela, fumando, esperava mais um cliente.
Suavidade
Foi-se a época de suavidade.
Ah se eu pudesse jamais esquecer…
… as sensações.